Aos 15 anos, engravidou. A violência continuou durante e após a gestação. Anos depois, conseguiu deixar o relacionamento com a ajuda de uma amiga.
Em 24 de janeiro, há cerca de 25 anos, o ex-companheiro invadiu a casa de Gisele armado. Ela estava no banho quando ele entrou e efetuou vários disparos. Ao tentar proteger o rosto com os braços, foi atingida cinco vezes.
Ferida, Gisele foi encontrada pelas amigas e levada ao hospital. Ficou inconsciente por dois dias. Aos 18 anos, recebeu a notícia de que havia ficado tetraplégica após um dos tiros atingir a medula, na região cervical C5 e C6.
“Eu pensei: acabou a minha vida. Eu não peguei minha filha. Acabou tudo”, recorda.
O crime aconteceu antes da criação da Lei Maria da Penha, em 2006. A recuperação foi longa, marcada por hospitais, fisioterapia e a ajuda de amigos e vizinhos. Com o tempo, Gisele recuperou parte dos movimentos e da autonomia.
Há cerca de 16 anos, vive em São Vicente. Voltou a estudar, atualmente cursa Perícia e Biomedicina e também realiza cursos em busca de novas oportunidades profissionais.
Hoje, Gisele transforma a própria experiência em conscientização. Ela se considera uma ativista contra a violência e busca ajudar outras mulheres a reconhecer situações de abuso e procurar apoio.
“Eu sei que é difícil. Não dá para tomar uma atitude do dia para a noite. Porém, existem estratégias e cada vez mais existem caminhos de ajuda”, afirma.
• Busque ajuda
190 – PM
180 – Central de Atendimento à Mulher
153 – Guarda Civil Municipal
Disque 100 – Direitos Humanos
WhatsApp municipal: (13) 99130-7047
OAB Por Elas – orientação jurídica gratuita: (13) 99709-5997
Rua José Gonçalves Paim, 145, Parque Bitaru.
A violência pode ser denunciada pela vítima ou por qualquer pessoa que presencie a situação. Buscar ajuda pode ser o primeiro passo para interromper o ciclo.

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